Localizada no litoral sul do estado do Rio de Janeiro, a charmosa Paraty encanta visitantes não apenas por seu centro histórico preservado, mas também por uma gastronomia rica e cheia de identidade. Misturando influências caiçaras, indígenas e portuguesas, o destino oferece desde frutos do mar fresquíssimos preparados à beira-mar até pratos tradicionais como o peixe com banana e a famosa cachaça artesanal produzida na região.

Centrinho
Caminhar pelas ruas de pedra e descobrir restaurantes acolhedores, bistrôs criativos e alambiques históricos transforma cada refeição em uma experiência cultural única, onde sabores e paisagens se encontram de forma inesquecível. Vamos lá? Começamos pelo imperdível restaurante Banana da Terra.

Chef Ana Bueno
A chef Ana Bueno, que assina o menu, diz que aprendeu a cozinhar ainda na barriga da minha mãe. Mas que foi no fogão à lenha que começou de verdade. Pegava a madeira, cortava com o machado, cruzava os paus, e tudo começava com um sopro. Fazia bolos também, batidos com um molinete de pesca improvisado, assados em dois tabuleiros altos, sobrepostos, brasa em cima e embaixo, soprando devagar, vigiando o tempo, sem deixar queimar, sem deixar solar.
O Início

Sentada, abanando o fogo, ela se conectou às mulheres que vieram antes. Ali, encontrou uma Ana antiga e forte, que a trouxe até aqui. Nunca planejou ou, sequer, imaginou que se tornaria cozinheira, chef de cozinha e empresária. Começou a cozinhar por necessidade, não por escolha. Os caminhos foram se abrindo e tudo foi acontecendo. Hoje, além do Banana da Terra e do serviço de bufês, tem a Caiçarinha, o Café Paraty e a Casa Paratiana. Cada um com sua identidade, seu tempero e alma. O “Banana” é o preferido, afinal, ele foi o ponto de partida.
Trajetória

No início, tudo era muito intuitivo. Era autodidata e, nos anos de 1980, existiam poucos restaurantes em Paraty. O hábito de comer fora era reservado para datas especiais. A cozinha brasileira ainda não era valorizada – nossas referências vinham da Europa. A chegada de chefs da Itália e França ao Brasil, impulsionada em parte pelas redes de hotéis internacionais, mudou esse cenário. Com a “imigração” desses chefs para as cozinhas brasileiras, muitos nordestinos vindos para São Paulo e Rio de Janeiro, se tornaram aprendizes, e foi, a partir desse momento, que surge uma nova perspectiva para a culinária brasileira. Foi nesse contexto que investiu na sua formação. Estudou gastronomia na Itália e na França, fez também todos os módulos da
Escola de Artes Culinárias do Laurent Suaudeau, em São Paulo.
Banana da Terra
O Banana da Terra foi aberto em 1994. Os ingredientes fazem parte do nosso
DNA. E não é só sobre o que se come – é sobre como se vive. O uso do biodigestor, que transforma resíduos orgânicos em adubo, o cuidado com o lixo, o respeito ao tempo das coisas…Tudo isso fecha um ciclo de compromisso com a cidade e com o propósito de Ana Bueno, que nasceu em São José dos Campos, em 1971, e “renasceu” paratiana em 1989, quando foi morar em Paraty.
Origens

O restaurante é inspirado na cultura caiçara, a partir de todos os elementos que compõem a cidade; de pessoas às manifestações culturais; do território aos ingredientes; dos processos às histórias. Funciona há mais de três décadas, todos os peixes e frutos do mar chegam da baía de Paraty, respeitando os ciclos e períodos de defeso. O mesmo acontece com a agricultura familiar local e da cidade vizinha de Cunha. Entre os fornecedores, Angeli dos Temperos, Cida do Palmito, Marilza catadora de siri, etc.

Menu
No cardápio, pra começar que tal crudo de peixe maturado 30 dias, bem geladinho com molho cítrico com mel de abelhas nativas e shoyu, gergelim, conserva de mostarda em grão e alga nori? A gente experimentou e estava uma delícia. Tem ainda tacos de atum confitado, brioche, salada de polvo, lula e camarão, bolinhos de bacon, queijo e banana, pastéis, etc. Não deixe de provar também o incrível couvert, que foge de toda nossa imaginação. É apresentado dentro de uma caixinha e com deliciosas surpresas!

Principal
De principal as opções são variadas e difícil é decidir qual escolher. Dos campeões da cozinha estão o peixe maturado, servido com molho de especiarias da Mata Atlântica, purê de banana, farofa de alho, pirão e arroz de coco; e o maravilhoso polvo de pesca artesanal, feito na brasa, com molho e emulsão de páprica picante, purê de batata doce roxa da própria horta e alho assado.

Tem ainda peixe em crosta de pimenta limão, risoto de palmito limão curado e azeite cítrico; lula recheada com queijo e purê de bananas, gratinada em molho com leite de coco, servida com arroz cítrico e cremoso de coentro; tagliolini negro, com shitake de Cunha e lulas de Paraty, vem com coalhada seca e manteiga crocante com sálvia e avelãs.
Pra adoçar…
Do quesito sobremesa, torta quente de banana em crème anglaise, servida com sorvete de canela, praline de amendoim com toque de vinho do Porto; creme de chocolate branco, brownie e sorvete de açaí e zeite de coentro; gelatina de cachaça com flores comestíveis e sorvete de mel; entre outras opções. Fomos de bolo gelado de coco servido com cocada de pimenta, com sorvete de abacaxi e gengibre, feito na casa e praline crocante. Estava dos deuses! Para mais informações: @restaurantebananadaterra.
Caminho do Ouro
Do Banana da Terra, seguimos para o também incrível restaurante Caminho do Ouro. A casa é um charme, tem mesas na parte interna e também na rua de pedra. O atendimento é cheio de gentileza e super ágil. A chef mineira Ronara Toledo, moradora de Paraty desde 2004, é responsável pelo sucesso da cozinha. Seu marido, Fernando Toledo, faz as honras da casa, não só recepcionando os clientes mas também dando ótimas sugestões do cardápio e da carta de vinhos.

Reconhecimento
Foi com essa receita que o Caminho do Ouro, inaugurado naquele mesmo ano, transformou-se no restaurante oficial dos principais eventos da cidade, como a FLIP (Festa Literária Internacional de Paraty), recebendo vários autores, artistas e personalidades. A cozinha do Caminho do Ouro é de fato um sucesso: contemporânea, de padrão internacional, inspirada na cultura local, com pratos sazonais. Todas as receitas saudáveis com opção vegetariana e sem glúten têm pelo menos um ingrediente da agricultura familiar. Trata-se do primeiro restaurante do Brasil a levar sustentabilidade à mesa, através de um projeto inovador.

Destaques
Entre os sucessos da casa estão a Orgia dos Deuses do Mar (frutos do mar assados com ervas frescas e musseline de banana) e os Camarões Salteados (camarões no azeite de trufas, endívias, cogumelos, arroz preto e um leve molho de limão galego). A decoração é mais um diferencial: sempre em movimento, já que é feita de quadros de artistas da cidade postos à venda.
Entradas
De entradas, são várias as opções deliciosas. Entre elas, couvert com seleção de pães da casa, creme de grão de bico, manteiga com flor de sal e queijo cremoso com tapenade de azeitonas; queijo brie morno assado com casquinha crocante, servido com melado de cana e pera com especiarias; crudo de salmão maçaricado, vem com cubos de tangerina e manga, cebola roxa e tomatinhos da horta, regados com azeite extra virgem. Fomos de camarões inteiros grelhados no azeite, e de polvo ao vinagrete que são de comer re-zan-do!
Principal

De prato principal, há opções como consomê de mandioca com camarão, acompanha pães da casa; o vegetariano fetuccine de palmito pupunha orgânico com variados legumes salteados com shitake; massa com camarões ao sugo; filet mignon com gratinado de mandioca e molho de jabuticabas; lombo de robalo assado com crosta de ervas, acompanha fetuccine de palmito e leve molho de limão; ragu de cordeiro, etc.
Sobremesa

Fomos de creme brülée e estava maravilhoso, mas tem também mil folhas de doce de leite, camadas de massa folhada intercalada com doce de leite de Minas Gerais, servido com geladinho de baunilha deitado em creme inglês; ganache de chocolate belga servido co frutas vermelhas da estação; e ainda profiterole, carolinas recheadas com sorvete de baunilha e calda de chocolate.

São duas décadas de funcionamento e muito sucesso. A casa está sempre bem movimentada então se puder já antecipe sua reserva, costuma formar fila de espera em finais de semana, feriados. Para mais informações: @caminhodoouro.
Armazém Mar
Não vá embora de Paraty sem conhecer o restaurante Armazém Mar. Ele está localizado na Rodovia BR-101, km 579,5, no Marina Farol de Paraty. Fui inclusive já de partida da cidade, check out feito, bagagem no carro e saborear o menu que é maravilhoso antes de pegar a estrada.

Visual
O lugar é lindo, tem estacionamento, e uma vista daquelas de cinema. Muitas embarcações ancoradas, o mar em volta e a serra da Bocaina o fundo, sem esquecer do centro histórico que deixa tudo ainda mais belo. O restaurante dispõe de 12 mesas com capacidade para acomodar até 60 pessoas, nos ambientes interno e externo. É uma delícia estar na varanda, há ainda sofás, poltronas e um jardim lindo pra gente relaxar.

Seleção
Sua cozinha prioriza produtos regionais frescos e sazonais sendo baseada em frutos do mar e vegetais, com influência caiçara, mediterrânea e portuguesa. Apaixonado pelo mar e por pesca, o chef Fabricio Tofono faz questão de escolher os pescados que oferece em seu cardápio, e preservar o sabor genuíno dos produtos.

Menu
Das opções de entrada, casquinha de siri gratinada, ceviche de robalo, camarões crocantes, fomos neste último e estava divino! E de principal, filé de robalo, bacalhau, linguini com camarão e parma, risoto de camarão, polvo grelhado, também provamos este último e é simplesmente maravilhoso. Tem ainda bobó de camarão, medalhão de filé e a casa também dispõe de cardápio kids.

Sobremesa
No quesito sobremesa, vai ser difícil escolher viu! Tem torta aveludada de chocolate meio amargo, creme de coco e banana da terra caramelada, pêra ao vinho, brownie de nutella e picolé – sorvete. O restaurante funciona desde 2019, sendo um lugar pra ir com toda família, amigos. Lá, a gente se sente em casa e o atendimento é cheio de gentileza, do jeito que a gente gosta e que combina com a paisagem à nossa volta. Para mais informações: @armazemmar.









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